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Engenharia estrutural: quando simplificar é fazer melhor

há 7 horas
3 min de leitura


Há uma frase que resume a filosofia de Pedro Enzweiler: “O melhor elogio para mim é o silêncio.” Para o engenheiro estrutural, quando o cliente não precisa ligar, reclamar ou pedir correções, significa que o trabalho foi bem feito. A estrutura está funcionando e a engenharia cumpriu seu papel: evitar problemas antes que eles apareçam. É dessa lógica que nasceu a Simplifica Engenharia, oficializada em fevereiro de 2025, em Lucas do Rio Verde. A empresa, porém, começou a ser construída muito antes, ainda nos planos profissionais de Pedro.


Aos 26 anos, o engenheiro já acumula uma trajetória marcada por decisões precoces. Formado em Engenharia Civil em Itapiranga, no extremo oeste catarinense, ele veio para Lucas do Rio Verde no dia seguinte à graduação. A cidade já o havia conquistado em 2016, quando percebeu o ritmo de crescimento e a capacidade de transformar rapidamente problemas em soluções.


Ao retornar em 2018, encontrou um município ainda mais dinâmico. Foi o empurrão definitivo para decidir que ali construiria sua carreira. Não saiu mais.


Transformar complexidade em solução

A Simplifica nasceu com uma proposta objetiva: pegar problemas complexos e transformá-los em soluções simples, seguras e economicamente eficientes. O foco está principalmente em projetos estruturais de silos, armazéns, moegas, casas de máquinas, usinas, fábricas de ração e outras estruturas ligadas ao agronegócio e à indústria.


Mas simplificar, para Pedro, não significa simplesmente gastar menos. “Não é fazer barato. É fazer a obra rodar economicamente bem”, explica.


Uma economia feita no lugar errado pode se transformar em um prejuízo muito maior. Por isso, uma das regras da Simplifica é categórica: aquilo que fica enterrado não é lugar para economizar. Fundações, estacas, sapatas, túneis e outras estruturas abaixo do solo precisam ser executadas corretamente desde o início. Depois de enterradas, não existe espaço para improvisos.


Outro conceito que orienta a empresa é o da “estrutura necessária”: nem mais, nem menos. Abaixo do necessário existe risco; acima dele, desperdício. O trabalho da engenharia está justamente em encontrar esse ponto de equilíbrio.



Conhecimento que vira economia

Pedro defende uma engenharia que compreenda profundamente cada etapa do cálculo. Por isso, parte das análises da Simplifica é desenvolvida de maneira mais manual, permitindo à equipe acompanhar o comportamento da estrutura e buscar soluções mais eficientes.


Em um projeto comercial, por exemplo, a estrutura inicialmente calculada utilizaria cerca de 40 toneladas de aço. Depois de sucessivas análises, chegou a aproximadamente 32 toneladas, mantendo a segurança e melhorando o desempenho. A redução representou uma economia estimada entre R$ 100 mil e R$ 120 mil apenas nesse componente.


Em outro projeto, voltado à implantação de uma unidade de armazenagem de grãos, o cliente havia realizado estimativas preliminares com três empresas, que apresentaram valores entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões para a estrutura. A partir desse cenário, a Simplifica desenvolveu o projeto buscando uma solução tecnicamente eficiente e economicamente viável, chegando a uma estimativa na faixa de R$ 6 milhões, redução considerável. Mais do que o número, o caso ilustra como o conhecimento técnico e o estudo de diferentes alternativas podem gerar economia sem comprometer a segurança e o desempenho da obra.


Para Pedro, os exemplos comprovam uma convicção: o conhecimento técnico pode ter um custo, mas a falta dele pode custar muito mais.


Projeto é segurança para decidir

Contratar um projeto independente também significa dar ao proprietário maior controle sobre a obra. Com as especificações definidas, materiais, dimensões e parâmetros podem ser acompanhados e cobrados durante a execução. “Sem projeto estrutural, você está apostando”, resume Pedro.


Hoje, a Simplifica atende diferentes regiões de Mato Grosso e já desenvolveu projetos em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Grande parte dos negócios chega por meio de parceiros responsáveis pela execução das obras.


A expansão, porém, não diminui a ligação com Lucas do Rio Verde. É na cidade que Pedro pretende manter a matriz da empresa, construída sobre uma decisão que tomou ainda jovem e que hoje se transforma em negócio.


O objetivo continua simples — assim como o nome da empresa: entregar a melhor solução possível, com segurança, eficiência e economia. No fim, a engenharia que Pedro defende pode ser resumida em uma frase: não fazer mais do que precisa, não fazer menos do que deve e fazer bem feito aquilo que precisa durar.


Texto: Celso Nery

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