Ronaldo Ribeiro: estratégia para não deixar dinheiro na mesa

Há empresários que aprendem sobre negócios nos livros. Outros aprendem no mercado, na prática, enfrentando decisões, erros, mudanças e oportunidades. Ronaldo Ribeiro reúne as duas experiências. Há quase duas décadas em Lucas do Rio Verde, construiu uma trajetória que passou pela gestão executiva, pelo empreendedorismo, pelo mercado financeiro e, mais recentemente, pela consultoria estratégica.
Paranaense de Barracão, Ronaldo chegou a Lucas do Rio Verde em 2007 e, no ano seguinte, iniciou uma trajetória profissional ao lado do então empresário e atual prefeito Miguel Vaz, atuando durante 12 anos como executivo. Em 2019, decidiu iniciar um novo capítulo. Com o incentivo de Miguel, estruturou a Inspire, empresa de consultoria e assessoria, e ampliou sua atuação para diferentes negócios, entre eles a Valor Investimentos e o escritório da XP.
Foi também nesse percurso que encontrou no BNI uma nova forma de fazer negócios. Em 2023, conheceu Mário Quirino, hoje seu sócio, e passou a integrar o BNI Smiles, em Sorriso. A experiência despertou uma convicção: Lucas do Rio Verde também poderia se beneficiar de uma rede empresarial estruturada.
O desafio deu origem ao BNI Hangar. O grupo começou pequeno, com oito integrantes, enfrentou dificuldades para crescer e chegou a um ponto de quase desistência. Até que uma mudança de perspectiva fez a diferença: o BNI não deveria ser construído por uma pessoa, mas pelo grupo.
O resultado foi uma escalada rápida. Oito membros viraram 14, depois 20 e, finalmente, 25. Em fevereiro de 2025, o Hangar foi oficialmente lançado. A experiência contribuiu para uma expansão regional que hoje alcança diferentes municípios do norte de Mato Grosso, e Ronaldo passou a atuar como diretor executivo da Regional MT Norte.
Começar pelo resultado
A mesma lógica que Ronaldo aplicou à construção do BNI está presente em sua consultoria: definir claramente onde se quer chegar antes de decidir como chegar.
Para ele, um dos erros mais comuns dos empresários é construir o planejamento estratégico de baixo para cima. Organizam produtos, equipes e processos e só depois tentam descobrir qual resultado essas ações produzirão.

Ronaldo propõe o caminho inverso.
Primeiro, define-se o resultado desejado. Depois, calcula-se quanto será necessário faturar para alcançá-lo. A partir daí, entram as decisões sobre estrutura, pessoas, processos e investimentos.
“Quanto eu quero ter de lucro ao final de 2027?” é, em sua visão, uma pergunta muito mais importante para iniciar um planejamento do que simplesmente definir o que a empresa pretende fazer.
A lógica é simples, mas exige disciplina. E, principalmente, disposição para olhar os números.
Ronaldo defende que muitos empresários deixam dinheiro na mesa porque não utilizam todo o potencial das informações que já possuem. Sistemas, relatórios e indicadores existem, mas frequentemente não são transformados em decisões estratégicas. “Não adianta você ter uma Ferrari e pilotar um Fusquinha”, resume.
Mais do que apresentar números, sua consultoria procura fazer o empresário compreender o que eles significam e transformar informação em ação. Para Ronaldo, administrar também é parar, analisar e medir.
Uma empresa que depende de pessoas
Existe ainda outro ponto que considera essencial: o empresário precisa olhar para si mesmo.
Entre os grandes riscos de uma empresa, Ronaldo coloca em primeiro lugar a dependência excessiva do próprio dono. O que acontece com o negócio se ele precisar se afastar? Como a operação continua? Qual impacto isso terá sobre o caixa?
Por isso, planejamento também significa preparar pessoas, compartilhar metas e construir uma cultura em que todos saibam para onde a empresa está indo.
É uma visão que combina gestão e comportamento. Afinal, números podem mostrar o caminho, mas são as pessoas que percorrem esse caminho.
Fora do ambiente empresarial, Ronaldo leva a mesma disposição para superar limites à vida pessoal. Atleta amador, já participou de Ironman, provas de ciclismo de longa distância e desafios de corrida. A próxima meta é ainda maior: um quinto Ironman, em uma prova que reúne natação, ciclismo e corrida.
A filosofia é a mesma aplicada aos negócios: o limite, muitas vezes, só existe até o momento em que alguém decide avançá-lo.
É essa combinação entre estratégia, disciplina e inquietação que define o trabalho de Ronaldo Ribeiro. No centro de sua proposta está uma pergunta direta: quanto potencial ainda existe dentro de cada empresa — e quanto dinheiro está sendo deixado na mesa por não enxergá-lo?
Texto: Celso Nery





Comentários