Tânia Vendruscolo: “O agro não é apenas o que eu faço. É quem eu sou”
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Há mulheres cuja história se confunde com a terra que cultivam. Mulheres que medem o tempo pelas safras e sustentam decisões com fé e disciplina. Assim é a trajetória de Tânia Maria Vendruscolo, produtora rural em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. Aos 63 anos, ela reconhece que cada conquista nasceu de uma decisão corajosa: começar do zero.
Casada com Adair Vendruscolo, mãe de Júnior, André, Adriano e Alex, e avó de sete netos, Gustavo, Isadora, Beatriz, Júlia, Íris, Luísa e Clara, Tânia é direta ao falar de prioridades.
“Minha família é meu maior tesouro e meu maior legado.” É nessa base que se sustenta sua caminhada.
Começar do zero
A mudança para Mato Grosso ocorreu em 1984, quando o casal deixou o Rio Grande do Sul em busca de oportunidades. Chegaram com poucos recursos, mas com determinação. “Chegamos com coragem, fé em Deus e a decisão firme de começar do zero.”
Os primeiros anos foram difíceis. Sem energia elétrica e com pouca infraestrutura, enfrentaram limitações financeiras e muito trabalho. Aprenderam a planejar cada passo e a valorizar cada avanço.
Foi ali que vieram as maiores lições.
No campo, aprende-se que tudo tem seu tempo. Cada amanhecer traz um desafio, uma esperança, uma escolha. O agro ensina a ter paciência, a persistir, a ser forte. Nem sempre o tempo ajuda. Nem sempre o dia é fácil. Mas sempre existe um motivo para agradecer.
Porque quem vive no campo sabe que a vida também é uma lavoura e cada gesto, cada cuidado, cada detalhe faz diferença lá na frente. A gente planta com as mãos, mas colhe com o coração.
“Nunca consideramos desistir. Cada desafio fortaleceu nossa determinação.”
Mesmo diante das dificuldades, decidiram investir primeiro na lavoura, antes de construir a casa.
Acreditavam no potencial da terra e na força do trabalho. A escolha foi decisiva para consolidar a propriedade.
Produzir com responsabilidade
Com o tempo, consolidaram a produção de soja, milho e algodão, ampliando a estrutura com responsabilidade ambiental. Para Tânia, produzir vai além do resultado financeiro. “Produzir exige compromisso com a terra, com as pessoas e com o futuro.”
Ser produtora rural, para ela, significa gerar empregos, contribuir com o desenvolvimento local e integrar um setor que alimenta o Brasil e o mundo. Cada safra envolve planejamento, risco e coragem.
Mulher, família e gestão
Ao longo da trajetória, Tânia conciliou maternidade com o trabalho na propriedade. Ao lado do esposo, assumiu responsabilidades com firmeza. “Para que as grandes conquistas aconteçam, é preciso primeiro cuidar do que é pequeno.”
Hoje, os filhos conduzem o negócio, dando continuidade ao que foi construído. A sucessão, segundo ela, é fruto de exemplo e valores sólidos. “Passar o bastão é transmitir princípios e compromisso com a terra e com as pessoas.”
Liderança e missão
Atualmente, Tânia coordena o núcleo local do movimento AgroLigadas, em Lucas do Rio Verde. A iniciativa conecta campo e cidade por meio da educação e da informação responsável sobre o agronegócio.
O grupo desenvolve projetos em escolas e ações que aproximam a sociedade da realidade do campo, fortalecendo a imagem do agro com ética e transparência. O movimento está presente em diversos estados e reúne mulheres comprometidas com o setor.
Tânia também é coautora do livro Elas e o Agro, que reúne histórias de mulheres atuantes no agronegócio brasileiro.

O agro como identidade
Ao falar de sua trajetória, Tânia reafirma os pilares que a sustentam: fé, família e trabalho.
Produzir com responsabilidade é, para ela, uma missão que deve sempre considerar as próximas gerações.
No fim, resume sua essência:
“O agro não é apenas o que eu faço. É quem eu sou.”

Texto: Celso Nery








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