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Sucessão familiar: o desafio urgente que define o futuro dos negócios rurais

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  • 23 de mar.
  • 3 min de leitura


Em um estado onde agronegócio é fundamental para economia e molda histórias familiares há décadas, falar em sucessão deixou de ser uma escolha estratégica para se tornar uma necessidade urgente. Em municípios como Lucas do Rio Verde, onde propriedades e empresas foram erguidas com esforço, visão e resiliência, a continuidade dos negócios depende cada vez mais de um tema que ainda é tratado como tabu: a sucessão familiar.


A Nelci Rigo Assessoria conhece essa realidade por dentro. Com know-how de três décadas em empresas do agro, atua em um dos pontos mais sensíveis e decisivos da gestão rural: a transição entre gerações. De acordo com a proprietária que dá nome a empresa Nelci Rigo, a sucessão não começa quando o patriarca decide se afastar, mas muito antes. “O momento ideal é quando está tudo bem na família e quando está tudo bem no negócio”, afirma. “Porque vão existir conversas delicadas, e é melhor que elas aconteçam em um ambiente de harmonia.”


Nelci observa que muitas empresas rurais cresceram baseadas na experiência e na capacidade de decisão de quem as fundou. São negócios estruturados na prática, no conhecimento acumulado e, muitas vezes, na centralização das informações. “A gestão que eles fizeram foi eficiente, porque construíram patrimônio. Então não se trata de dizer que estava errado”, pondera. O desafio está em preparar essa estrutura para o mercado atual. “Hoje nós temos uma velocidade de informação muito rápida. A minha geração 50+ tem dificuldade de acompanhar tudo. Essa nova geração consegue. A gente precisa deles perto.”


O ponto central, segundo ela, não é substituir o antigo pelo novo, mas integrar forças. “Os dois estão certos”, resume. De um lado, está quem construiu o negócio. De outro, filhos e filhas altamente capacitados, com domínio tecnológico e novas perspectivas. “Não é trocar o que existe. É somar o novo ao que já tem.”



Para explicar, Nelci recorre a uma metáfora simples. “É como fazer uma reforma numa casa de 30 anos. O arquiteto primeiro olha os pilares. A estrutura não pode ser mexida. Depois disso, você pode abrir janelas, ampliar espaços, modernizar.” Nos negócios, isso significa respeitar a cultura construída ao longo de décadas e, a partir desse entendimento, propor melhorias. “Quem entra primeiro precisa aprender com quem está. Depois que entende por que o negócio funciona daquela forma, pode sugerir adequações.”


Um dos equívocos mais comuns é acreditar que sucessão se resume à divisão patrimonial ou à criação de estruturas jurídicas. Nelci alerta que o maior desafio está na gestão. “A parte legal é importante, mas papel aceita tudo. Se não houver a sucessão da gestão, o negócio não tem continuidade.” Para ela, a transferência mais complexa não é de bens, mas de comando, de responsabilidades e de conhecimento.


Há ainda o aspecto emocional. “Toda vez que a gente fala em transferir alguma coisa, existe uma sensação de perda”, observa. Para muitos fundadores, o negócio é extensão da própria identidade. Por isso, ela defende que também haja planejamento para quem vai deixar o comando. “Falamos muito em treinar o sucessor, mas quase não se fala em qual é o planejamento para quem vai sair. Essa pessoa precisa continuar se sentindo parte do negócio.”


Outro ponto crucial é compreender que herdeiro não é necessariamente sucessor. “Herdeiros todos serão. Mas nem todos terão vocação para continuar o negócio.” Respeitar os desejos individuais faz parte do processo. Em alguns casos, a solução pode ser a contratação de um gestor profissional, mantendo a família na sociedade, mas não necessariamente na operação.


Nelci reforça que diálogo e planejamento caminham juntos. “Sem diálogo não existe planejamento. Mas só diálogo, sem estrutura, também não sustenta o negócio.” Muitas vezes, segundo ela, os próprios filhos procuram ajuda. Querem entender o dia a dia da empresa e se preparar para assumir. O que falta, em muitos casos, é organizar as informações e descentralizar decisões que ainda estão concentradas na figura do patriarca.


Em Mato Grosso empresas rurais ainda depende fortemente de quem as fundou, a sucessão familiar é também um movimento de profissionalização. “A tecnologia no campo já está sendo usada. O segredo agora está na gestão”, destaca.


Ao transformar sua experiência no agro em consultoria especializada, Nelci Rigo passou a atuar como mediadora entre gerações, ajudando famílias a transformar possíveis conflitos em alinhamento estratégico. Para ela, sucessão não é ruptura, mas continuidade planejada. “É um caminho sem volta. Em algum momento vai precisar acontecer. E quanto antes for pensada, maiores as chances de o negócio prosperar.”


Em uma região que construiu sua força econômica com base em empresas familiares, preparar a próxima geração é mais do que preservar patrimônio. É garantir que histórias de trabalho, coragem e visão de futuro atravessem o tempo — não por acaso, mas por escolha consciente.




Texto: Celso Nery

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