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Izaida Altoé: Quando uma oportunidade virou uma história de vida

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  • 6 de jul.
  • 3 min de leitura


Em julho de 1993, uma jovem farmacêutica bioquímica recém-formada pela Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais, desembarcou em uma pequena cidade do médio-norte mato-grossense que ainda engatinhava em seu processo de desenvolvimento. O município era Tapurah, recém emancipado, mas que ainda nem figurava em muitos mapas do Estado. Foi nesse cenário que Izaida Altoé chegou ao município para assumir uma missão que ajudaria a transformar a realidade da saúde local.


Recém-formada pela Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais, ela aceitou o convite da administração municipal para estruturar os serviços laboratoriais do Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão significava deixar para trás sua terra natal, o Espírito Santo, e encarar uma realidade completamente diferente daquela que conhecia. “Quando cheguei aqui, não tinha equipamentos. Eu mesma tive que comprar e montar o laboratório. Naquela época tudo era muito mais difícil”, relembra.


As dificuldades eram muitas. A energia elétrica funcionava por meio de motores, a comunicação dependia de cartas ou do posto telefônico, e doenças como malária, hanseníase e leishmaniose faziam parte da rotina dos profissionais de saúde.


A experiência adquirida durante os internatos rurais da universidade foi fundamental para enfrentar os desafios. Acostumada a trabalhar em comunidades afastadas, Izaida encontrou em Tapurah a oportunidade de colocar em prática o conhecimento adquirido durante a formação.


Os exames laboratoriais exigiam precisão e dedicação. Sem a automação disponível atualmente, cada procedimento era realizado manualmente. “Se você errasse uma diluição ou uma pipetagem, comprometia o resultado. A vida do paciente estava em nossas mãos e o médico confiava naquele exame”, destaca.


O trabalho começava cedo e muitas vezes, avançava pela madrugada. Em períodos de grande incidência de malária, não eram raros os atendimentos emergenciais durante a noite. “Os pacientes chegavam com febre alta, tremendo. Muitas vezes era chamada de madrugada para fazer exames e ajudar no diagnóstico.”


Ao lado de profissionais que marcaram a história da saúde local, como os médicos Dr Júnior e Dr Sérgio Borges Mello, ela participou da construção de uma estrutura que contribuiu para o crescimento do município.


Com o passar dos anos, surgiu também o Laboratório Anaclin, que hoje completa 33 anos de atuação em Tapurah. A empresa acompanhou a modernização dos exames e o desenvolvimento da cidade, tornando-se referência em análises clínicas na região.


Mais do que equipamentos e tecnologia, Izaida faz questão de reconhecer as pessoas que caminharam ao seu lado nessa trajetória. Entre elas estão colaboradoras como Miriam Alves Campos, Simone Zatta, Kedima e Leide Mara, profissionais que contribuíram para consolidar o trabalho realizado ao longo das décadas. “Sempre tive pessoas muito boas comigo. Muitas se tornaram mais do que funcionárias, viraram parte da família.”



A ligação com Tapurah também se fortaleceu fora do ambiente profissional. Foi no município que ela construiu sua família, casando com Ademir Macorin. Ele foi o responsável pela vinda da profissional à Tapurah, pois no início do seu mandato como prefeito, Macorin enviou ofício às Universidades Federais solicitando especialistas para comporem a equipe da saúde do SUS de Tapurah. A filha do casal, Rafaela, seguiu os passos da área da saúde. No mês de junho/26 está concluindo a Residência em pediatria em Umuarama (PR).


Além do trabalho no laboratório, Izaida também atuou na vida pública. Foi secretária municipal de Saúde em diferentes momentos e vice-prefeita do município, sempre motivada pelo desejo de contribuir com a comunidade. “Eu vejo a gestão pública como uma missão. Sempre procurei pensar no que poderia fazer para ajudar as pessoas.”


Ao celebrar os 38 anos de Tapurah, ela se emociona ao lembrar da transformação que presenciou. A cidade que encontrou em 1993, cercada por desafios e limitações, deu lugar a um município desenvolvido, com oportunidades, infraestrutura e qualidade de vida. “Tapurah cresceu muito. Hoje vemos uma cidade bonita, organizada e cheia de oportunidades.”


Mais de três décadas depois, a profissional que chegou pensando em permanecer apenas por um tempo se tornou parte da história local. Uma trajetória construída com trabalho, fé e dedicação, que se confunde com a própria evolução de Tapurah.


“Deus me colocou no lugar certo. Sou grata à Deus, a Santíssima Virgem Mãe e seus Santos Anjos por toda proteção recebida. Sou muito feliz em Tapurah.”




Texto: Celso Nery

 
 
 

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