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Henrique Benedetti: experiência e leitura de mercado para antecipar os novos movimentos do setor imobiliário

15 de set.
3 min de leitura


Em um mercado que muda conforme a economia, o crédito e o comportamento das famílias, conhecer profundamente a cidade pode ser um diferencial decisivo. Em Lucas do Rio Verde, Henrique Benedetti acompanha essa transformação há 26 anos. Sua trajetória começou no setor imobiliário em 2000 e, desde então, foi construída entre atendimento, negociação, gestão e, principalmente, uma observação constante sobre os movimentos do mercado.


Hoje, à frente do grupo que reúne a Benedetti e a Casa Fácil, Henrique trabalha com uma premissa simples: não basta vender imóveis; é preciso entender o momento e saber onde estão as oportunidades.



Essa leitura se tornou especialmente importante diante do cenário atual. Segundo o empresário, a chamada classe média enfrenta um período de maior restrição de poder de compra, enquanto dois extremos apresentam maior dinamismo: os imóveis populares, especialmente aqueles voltados à primeira aquisição, e os imóveis de padrão elevado, procurados principalmente por investidores. “Quando a classe média apertou e o povo parou de comprar, eu mudei os nichos do mercado. Fui para a classe popular e para a classe alta”, explica.


A estratégia ajudou a empresa a manter um ritmo expressivo de negócios. Em 2025, o grupo alcançou cerca de R$ 280 milhões em volume geral de negócios, impulsionado sobretudo pelo segmento de imóveis populares. Empreendimentos como Pacaembu, Água Cerrado, Europa 2, Industrial 7, Vila de Lucas e Bandeirantes 7 integram o portfólio comercializado pela equipe, além de uma ampla carteira de imóveis de terceiros.


O volume, entretanto, é apenas parte da história. Para Henrique, o diferencial está na capacidade de compreender cada público e preparar profissionais para atendê-lo de maneira adequada.


Especialização como estratégia

O grupo mantém duas imobiliárias com posicionamentos distintos. A Casa Fácil é direcionada principalmente ao mercado popular, enquanto a Benedetti concentra sua atuação nos segmentos médio e alto padrão. A divisão permite que as equipes sejam treinadas de acordo com as características de cada público.


A mesma lógica é aplicada aos corretores. Em vez de buscar profissionais já prontos no mercado, Henrique prefere formar novos talentos dentro da própria empresa. Dos cerca de 27 corretores que integram a operação, apenas uma pequena parcela já tinha experiência anterior na atividade. “Eu tenho um perfil de pegar gente de fora do mercado e trazer para dentro. Vou formando e lapidando o profissional”, afirma.


O resultado é uma equipe segmentada, com profissionais especializados em diferentes tipos de imóveis e modalidades de atendimento. Para o empresário, conhecer profundamente o produto e compreender o perfil do cliente são condições essenciais para uma negociação bem conduzida.


O momento de comprar

A experiência acumulada também influencia a forma como Henrique enxerga o atual ciclo imobiliário. Para ele, períodos de menor aquecimento podem representar oportunidades importantes para quem tem capacidade de investimento. “Na época boa, você vende. Na crise, é a época de comprar”, resume.


A lógica considera a possibilidade de encontrar imóveis abaixo dos valores praticados em momentos de maior demanda, além de condições diferenciadas de negociação. O cenário de crédito também contribui, segundo ele, para manter o financiamento imobiliário como uma alternativa relevante, diante da disponibilidade de recursos dos bancos e das garantias envolvidas nesse tipo de operação.


Henrique destaca ainda que o comportamento do mercado imobiliário está diretamente conectado a fatores mais amplos da economia — da agricultura à inflação, passando pelo crédito e pelos ciclos de investimento.


Duas décadas construindo confiança

Ao olhar para a própria trajetória, Henrique aponta a longevidade como um dos principais patrimônios construídos ao longo dos anos. São duas décadas dedicadas ao setor imobiliário e uma relação próxima com empresas, investidores, famílias e grandes grupos que participam do desenvolvimento de Lucas do Rio Verde.


Mais do que acompanhar o crescimento da cidade, ele aprendeu a observar seus movimentos. E é essa capacidade de interpretar o presente para se antecipar ao próximo ciclo que orienta a estratégia do grupo.


Em um município que continua atraindo investimentos e novos moradores, o mercado imobiliário acompanha a transformação. Para Henrique Benedetti, estar preparado para ela significa ter foco, conhecimento, profissionais qualificados e disposição para mudar quando o mercado muda.


Afinal, no setor imobiliário, quem conhece os ciclos não espera a oportunidade aparecer: aprende a reconhecê-la quando ela começa a se formar.


Texto: Celso Nery

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